Fórum dos Povos pela Paz na América Latina e no Caribe
Nossa Esperança na América Latina e no Caribe: uma proposta de Fórum dos Povos pela Paz na América Latina e no Caribe.


Frequentemente, diz-se que a América Latina e o Caribe ("nossa região") é um continente pacífico. No entanto, para muitos dos seus habitantes não é esse o caso, uma vez que vivem em conflitos internos ou externos que afetam tudo o que fazem, bem como o seu futuro, tanto material como imaterialmente. Em encontros recentes pela paz, as pessoas da nossa região estão cada vez mais preocupadas com a paz na região, individual e coletivamente. A tensão coletiva parece estar a subir fortemente — em particular a tensão relacionada com as cidades (congestionamento, desemprego, indiferença) — e deixa para trás muitas doenças, aumentando dramaticamente o consumo de barbitúricos. A paz individual parece frágil, como demonstram o estresse, a ansiedade, os suicídios e a depressão, que aparecem com mais frequência do que nunca.
A nossa paz está a enfraquecer rapidamente, como se vê pela grande corrida aos armamentos dentro da região; por um sistema económico e social que não resulta em níveis mais elevados de bem-estar com justiça social para a maior parte da população; pelo fato de as abordagens tradicionais da paz começarem a mostrar as suas limitações inevitáveis. Os problemas relacionados com as fronteiras que não foram resolvidos de forma satisfatória adicionam mais combustível à instabilidade regional, juntamente com elementos externos — o consumo de drogas por países fora da região, guerras noutras partes do mundo —, uma vez que a insegurança humana é contagiosa num mundo sem fronteiras.
Muitas pessoas começaram a notar dentro da nossa região que os conflitos sociais de natureza muito antiga e "estrutural" começaram a florescer novamente, uma vez que não foram resolvidos durante décadas — pobreza, desigualdade, marginalização, destruição ambiental e incerteza social. É essencial trazer para a agenda regional o tópico da paz coletiva e da segurança humana, incluindo a segurança de todos os seres e seres sintientes. Esta mudança de ênfase não deve necessariamente ser inserida nas organizações institucionais existentes, uma vez que estas têm feito parte do problema, e não o eixo central da solução.

The Institute proposes the formation of a Peoples Forum For Peace In Latin America And Caribbean (PEFOPLAC). The main reason for a succinct description is that this forum should be something that is born from a popular base, with different mechanisms, and should be born in a spontaneous and consensual form. This forum corresponds to a new concept of peace, and for that reason will possibly be born in ways very different to many other groups in support of peace in our region and in the whole world.

Na década de 1600, o Tratado de Vestfália deu autoridade às noções de governos soberanos e estados-nação. É por essa razão que os conceitos e o foco tradicional na paz a nível internacional estão enraizados nos países (governos) — um foco que hoje limita o trabalho coletivo num mundo sem fronteiras. Vivenciamos um novo mundo: o mundo da existência coletiva, regido por valores e atitudes individualistas e materialistas. O que acontece num país, ou num grupo de países, afetará a todos; as fronteiras geopolíticas de qualquer nação já vão muito além das suas fronteiras acordadas. A abordagem tradicional falha em apoiar um processo genuíno para a paz coletiva. Estas abordagens tradicionais basearam-se em três pilares fundamentais — político, militar e econômico —, oferecidos separadamente ou como um pacote, e, com base nos resultados que vemos em todo o mundo, estes pilares não têm sido eficazes e necessitam de um reforço fundamental.
As soluções econômicas demonstraram que não há correlação entre avanço econômico e paz: se este fosse o caso, todos os países desenvolvidos não estariam em guerra ou a um passo da guerra — e os países em desenvolvimento e pobres não são, de fato, as fontes de guerra e conflito; às vezes é exatamente o oposto. As soluções militares e de armamento não possuem os incentivos para a paz — pelo contrário, armar dois contendores tem significado mais conflitos e conflitos mais brutais que afetam vítimas casuais fora dos canais dos grupos armados. As soluções políticas também demonstraram grandes limitações: a menos que a consciência coletiva humana cresça, os diálogos políticos nunca sararão e, na melhor das hipóteses, serão paliativos por um curto período de tempo. Tudo isto exige uma mudança paradigmática e fundamental.

First, peace is a state of being and not a “thing.” Peace cannot be bought in the supermarkets. Even with a lot of material wealth, peace should not be conceptualized as merchandise; peace has to be self-realized in our inner self. A Forum of this nature should be guided from its beginning to the self-realization of peace in all the inhabitants of our region — armies, governments, guerrillas are not the source of this sustainable peace.
Second, peace in the region depends on inner peace. There will not be regional peace without the members of this region being at peace. The proposed Forum is for the creation and nurturing of inner peace, both individual and collective, and it is there where efforts should be placed.
Third, inner peace requires inner and outer self-healing, and it demands the healing of our natural environment — it is necessary to heal both the external world (container) and ourselves (content). It is essential to understand that if we are not free of inner anger, it is not possible to attain inner peace; with the same token, there is no inner peace if our external collective existence is completely stressed.
Fourth, healing is born fundamentally out of silence, and out of our capacity to know, to grow, to feed, to enlarge, and to unfold all aspects of our life from that inner silence — not silence as ceasing to speak, but as an ability to connect with the universal essence of life. This new paradigm of peace leans on its internal logic, which translates into a synergetic sequence: regional peace, as a function of inner peace; inner peace, as a function of self-healing; and self-healing, as a function of the power of our silence.

Em primeiro lugar, o Instituto disseminará o conceito e paradigma acima mencionados para a paz regional. Não sugerirá como prioridade a criação de burocracias e instituições. Em vez disso, a atenção coletiva deve concentrar-se numa campanha mediática de massificação popular deste novo conceito de paz regional, deixando a iniciativa para o povo — e não governos ou outras organizações — para criar e nutrir mecanismos locais de paz. Quem quiser juntar-se a esta estrutura organizacional deve ser bem-vindo, não com a ideia de liderar ou restringir o florescimento das bases, mas como uma forma de colaborar na popularização deste desafio regional. Isto exigiria o estabelecimento de contatos com os meios de comunicação social, rádio e televisão, falando com os líderes da região que naturalmente vão além dos governos, e criando redes populares de povos locais, líderes espirituais e outros grupos de importância capital em torno da paz regional.
A criação do Fórum é um resultado, e não o início, deste movimento pela paz na região. Será dever de cada comunidade criar ou não este Fórum e definir os mecanismos de participação dentro dele. Esta não é uma iniciativa para ser imposta de cima para baixo, nem para impor uma forma uniforme de operar no futuro.
América Latina da Paz. América Latina em Paz. América Latina pela Paz.
